Em um artigo de Janeiro de 1914 para o Christian Science Sentinel, Annie M. Knott descreveu a crescente abrangência internacional da Ciência Cristã:

Agora a Ciência Cristã está se expandindo por todos os países e dando testemunho de Deus, que está sempre presente, e de Seu Cristo. No ano passado, tivemos acesso a cartas procedentes do antigo reino de Burma, da Guiana Holandesa, do Brasil e de ilhas remotas, contando-nos como a escuridão foi dissipada e como a saúde e a felicidade foram obtidas mediante o estudo da mensagem de Deus para esta época, encontrada em “Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras”.

De diversas maneiras, o estabelecimento da Ciência Cristã no Brasil é um exemplo de como essa religião começou a crescer em muitas nações, por meio de pessoas procedentes de outras partes do mundo que a apresentaram a cidadãos locais. Imigrantes vindos de países cujo idioma é o alemão estiveram se estabelecendo no Brasil desde a metade do século XIX, fixando residência em cidades como Blumenau, São Paulo e Porto Alegre. Entre eles estavam os primeiros Cientistas Cristãos naquele país. Mesmo antes de chegarem às regiões do sul do Brasil, a Ciência Cristã já era conhecida em 1910, em São Paulo, onde pessoas se reuniam informalmente.

Otto Schaerer, um imigrante suíço, foi um dos primeiros a ajudar a estabelecer a Ciência Cristã no Brasil, no início do século XX. Ele lia regularmente a Lição-Sermão e logo formou um grupo em sua vizinhança, em Blumenau, para juntos lerem a Lição. Após estabelecer sua prática de cura, ele curou sua colega de trabalho, Ida Hoeltgebaum, e essa cura está registrada na edição de dezembro de 1923 do The Christian Science Journal. Schaerer não era um praticista da Ciência Cristã que se anunciava no Journal. Então, surgiu a necessidade de que um praticista autorizado, que tivesse mais conhecimento da Ciência Cristã, fosse para lá e se estabelecesse em Blumenau.

O primeiro culto formal ocorreu em 12 de junho de 1926, com onze pessoas se congregando na casa de Hoeltgebaum. Ela viria a se tornar a tesoureira de uma nova Sociedade da Ciência Cristã em Blumenau, e também professora da Escola Dominical. Ela também se tornou praticista. Entre aqueles que frequentavam a Sociedade, estavam Dora Vetter e Hedwig Stoeger, e ambas estabeleceram sua prática de cura na cidade, anunciando-se no Journal. Um edifício foi dedicado em 1931, e A Igreja Mãe reconheceu a Sociedade em 1932.

Já nos anos da década de 1930, a Ciência Cristã tinha estabelecido raízes em Blumenau. Mas a Segunda Guerra Mundial levantou suspeitas a respeito de pessoas e práticas com alguma ligação com a Alemanha. Em 1942, o Ministro do Bem-estar Público, no Brasil, decretou a proibição de toda “Atividade do eixo”. Isso incluiu a proibição do uso do idioma alemão, como também “hinos, músicas e saudações que fossem peculiares a eles”.1

Como resultado desse decreto, a Sociedade de Blumenau se viu forçada ou a fechar as portas ou a realizar os cultos em português, o idioma oficial do Brasil. Isso representou um problema para as igrejas e sociedades da Ciência Cristã em todo o país, pois Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras ainda não havia sido traduzido para o português. Os Primeiros e Segundos Leitores, que tinham pouco ou nenhum conhecimento de português, tiveram de aprender o idioma. Os Leitores em Blumenau trabalharam incansavelmente para isso, até que a Sociedade conseguiu se reorganizar em 14 de setembro de 1944, dois anos e meio depois da forçada dissolução.

Os desafios que os Cientistas Cristãos brasileiros enfrentaram durante a guerra na verdade impeliram a expansão de suas igrejas. O português começou a ser mais amplamente usado nos cultos, mesmo depois de os Leitores receberem permissão para voltar a usar o alemão. Após uma tradução de Ciência e Saúde ser publicada, em 1963, a Ciência Cristã teve um novo período de crescimento, com pessoas do país tomando conhecimento da religião por meio de testemunhos de cura e programas de rádio. Em 1969, apenas seis anos depois da tradução do livro, The Christian Science Journal relatou que o Brasil era responsável por comprar mais exemplares de Ciência e Saúde em português do que qualquer outro país no mundo.

Este artigo apareceu originalmente em conexão com uma exposição nA Biblioteca Mary Baker Eddy, intitulada “Fervent Hearts, Willing Hands: Christian Science from Discovery to Global Movement” [Corações ardentes, mãos dispostas: a Ciência Cristã desde sua descoberta até se tornar um movimento global].

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  1. Roland Hall Sharp, “Brazil Keeps a Closer Watch on German Minority” [O Brasil vigia mais de perto a minoria alemã], The Christian Science Monitor, 6 de março de 1942.