O que Mary Baker Eddy disse sobre a notificação e tratamento de doenças contagiosas?

11 maio 2021

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Archibald McLellan, “Rights and Duties”, Christian Science Sentinel, 6 de novembro 1902, 152.

Nosso artigo de fevereiro de 2021, “Vacinação: O que disse a Sra. Eddy?”, relatou as respostas de Mary Baker Eddy às questões trazidas a público, referentes à vacinação contra a varíola, em 1900 e 1901. Em 1902, foram levantadas perguntas sobre a Ciência Cristã e a notificação e tratamento de doenças contagiosas, bem como quanto à observação da quarentena. Aumentara a preocupação do público de que os Cientistas Cristãos talvez ignorassem as medidas sanitárias destinadas a proteger a população, dada a percepção de que eles se apoiam totalmente na oração para a cura. Quisemos examinar o desenvolvimento do pensamento da Sra. Eddy sobre o grande interesse do público nas medidas sanitárias daquele ano. Como ela respondeu a essas questões?

Apesar de esta religião adotar a cura por meio da oração, a prática da Ciência Cristã não pretendia ser um meio de não cumprir com as exigências da lei. Archibald McLellan, na época Redator-Chefe dos periódicos da Ciência Cristã, escreveu um editorial com o título “Rights and Duties” [Direitos e deveres], que teve a revisão da Sra. Eddy, a fim de abordar essas questões. Em uma carta, ele agradeceu à Sra. Eddy por suas revisões e melhorias, enfatizando que o público deve saber que, “qualquer desvio do nosso dever legal é desaprovado pela senhora e pela denominação”, e que, “não podemos questionar com êxito o poder constitucional do Estado de promulgar e fazer cumprir as leis que tornam obrigatória a notificação de doenças contagiosas e infecciosas, portanto, nossa posição é fortalecida por reconhecermos esse ponto de forma justa e clara”.1

O editorial de McLellan foi além da questão de cumprir a lei, e incluiu um novo conselho da Sra. Eddy para acalmar a agitação pública em torno do tratamento de doenças contagiosas, por meio da Ciência Cristã. “Rights and Duties” foi publicado em 6 de novembro de 1902 no Christian Science Sentinel, artigo que inclui este trecho: “A Sra. Eddy aconselha que, ‘até que o pensamento do público esteja mais familiarizado com a Ciência Cristã, os Cientistas Cristãos se recusarão a tratar doenças infecciosas ou contagiosas’ ”. Na página de título de seu próprio exemplar dessa edição do Sentinel, a Sra. Eddy escreveu: “Meu conselho sobre o contágio, etc.”

Uma semana depois, Alfred Farlow, gerente do Comitê de Publicação (que na Igreja da Ciência Cristã é o escritório que cuida dos assuntos relacionados ao público) escreveu para William D. McCrackan, o Comitê para o Estado de Nova York, que “a mensagem [da Sra. Eddy] no Sentinel repercutiu bastante por aqui”.2 McLellan escreveu à Sra. Eddy mais ou menos na mesma época: “Quanto mais a mente mortal se preocupa com a declaração da senhora sobre doenças infecciosas e contagiosas, mais eu me convenço de que a declaração foi oportuna. Acredito que suas palavras despertarão os Cientistas Cristãos para a necessidade de prever e prevenir o mal. Eu realmente fui despertado”.3

A “celeuma” e as “tempestades” produzidas pelas palavras da Sra. Eddy ocorreram dentro e fora do movimento da Ciência Cristã. Alguns jornais comentaram erroneamente que o conselho dela era uma admissão de que a Ciência Cristã não curava, o que ocasionou várias respostas de Farlow, como a seguinte, escrita para o The Detroit News:

A recente concessão da Sra. Eddy, quanto ao tratamento de doenças contagiosas por parte dos Cientistas Cristãos, se dá pelo fato de que a mente do público não tem conhecimento de que os Cientistas Cristãos já tiveram êxito em lidar com esses casos… Os Cientistas Cristãos não pensam que perderão algo com a terna consideração cristã que sua líder manifestou, em relação às crenças daqueles que não compreendem a Ciência Cristã.4

A Sra. Eddy rapidamente abordou a questão do tratamento de doenças contagiosas, por meio da Ciência Cristã, em um artigo que ela intitulou “Wherefore?” [Por que razão?]. O artigo foi publicado no Sentinel e na revista mensal Christian Science Journal. Posteriormente, foi incluído na obra The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]. Ela reiterou: “…até que o pensamento do público tenha maior conhecimento da Ciência Cristã, os Cientistas Cristãos se recusarão a tratar de doenças infecciosas ou contagiosas”. E disse mais:

Os Cientistas Cristãos devem ser influenciados apenas por seu próprio discernimento, quanto a aceitar um caso de doença maligna. Eles devem avaliar muito bem sua capacidade de lidar com a alegação dessas doenças e não devem ignorar o fato de que existem aqueles que estão à espreita para usar suas palavras contra eles; nem devem se esquecer de que em sua prática, seja tendo êxito ou não, eles não têm nenhuma proteção especial da lei.5

Dois dias antes de “Wherefore?” ser publicado, a Sra. Eddy escrevera a McLellan: “Espero que, como Redator-Chefe, acrescentes tua aprovação por minha afirmação que tu publicaste”, acrescentando que “obviamente a mãe [Sra. Eddy] não pode atender a todas essas questões. Nossos periódicos devem ser eficazes e incisivos a respeito desses assuntos, nas ocasiões em que isso for necessário”.6

O Sentinel publicou “Wherefore?” como editorial principal, seguido do endosso de McLellan:

Nenhuma dúvida a respeito da eficácia da Ciência Cristã, em casos de doenças infecciosas e contagiosas, está implícita no conselho da Sra. Eddy de que, até que o pensamento do público tenha mais conhecimento da Ciência Cristã, os Cientistas Cristãos se recusarão a tratar desses casos.

As tentativas de deturpar suas palavras, como se elas fossem uma admissão de que a Ciência Cristã não poderia curar casos de doenças malignas, não são justificadas pelos fatos e falham em seu propósito. A cura desses tipos de casos, diagnosticados e descritos por médicos, e registrados por Conselhos de Saúde e outros órgãos de saúde, prova sem sombra de dúvida que a Ciência Cristã é a mais eficaz, e todos os esforços para contestar essa evidência têm de falhar notoriamente, se os registros públicos estiverem corretos e o diagnóstico médico tiver valor.

O conselho da Sra. Eddy é sábio e oportuno, e podemos prestar um melhor serviço à Causa, e expressar nossa gratidão pelo seu amoroso cuidado, visão e liderança, dando a ele a devida atenção.

Quando despertarmos completamente para a necessidade de prevenir a doença, em vez de esperar por sua manifestação, veremos com mais clareza a sabedoria de seu conselho, e o fato de termos sido levados a uma poderosa compreensão da impotência de todo o mal, seja manifestado no momento presente ou temido para o futuro.7

Enquanto isso, Farlow continuava respondendo à imprensa. Ele declarou no Christian Advocate que os “[Cientistas Cristãos] não pretendem insistir em direitos e privilégios que no presente momento não serão concedidos. Eles batem à porta da opinião pública, eles não a invadem”.8 Para o Journal of Medicine and Science, ele escreveu:

[Mary Baker Eddy] não admitiu nenhuma falta de capacidade de curar doenças contagiosas, por parte de seus seguidores. Ela fez essa concessão devido aos temores e apreensões do público. Acreditamos que é melhor esperar até que a eficácia da Ciência Cristã na cura dessas doenças seja mais bem compreendida, em vez de forçar uma prática que o público não parece estar disposto a admitir, no momento.9

Aproximadamente um mês antes, Farlow também havia dado esta explicação a John E. Playter de Minessota:

Deves deixar claro aos teus redatores [do jornal] que o relato de doenças contagiosas e a quarentena de doentes não ocorrem porque os Cientistas Cristãos são forçados a fazê-lo, mas porque a quarentena cuidadosa está fundamentada na Ciência Cristã e o cumprimento da lei está de acordo com os ensinamentos da Ciência. A Sra. Eddy não dá esse conselho para indicar uma mudança na prática dos Cientistas Cristãos, mas para indicar seu apoio pessoal à lei. Já era costume entre os Cientistas Cristãos estarem rigorosamente atentos às leis de quarentena, mesmo antes de a Sra. Eddy achar necessário falar a respeito, embora talvez alguns Cientistas Cristãos descuidados, como outras pessoas descuidadas, as tenham negligenciado…

A Sra. Eddy não deu seu conselho por reconhecer que não seria seguro lidar com doenças contagiosas, mas porque ela notou a contenda por parte da oposição e concluiu que deveria oferecer a outra face também. Os Cientistas Cristãos já provaram que podem curar doenças contagiosas com eficácia.10


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  1. Archibald McLellan para Mary Baker Eddy, 5 de novembro de 1902, 005aP1.04.016. McLellan fora advogado, antes.
  2. Alfred Farlow para William D. McCrackan, 13 de novembro de 1902, Farlow Letterbooks, #271–272.
  3. Archibald McLellan para Mary Baker Eddy, 18 de novembro de 1902, 005aP1.04.017.
  4. Alfred Farlow para “Editor of the News” [Redator das notícias], 20 de novembro de 1902, Farlow Letterbooks, #307.
  5. Mary Baker Eddy, “Wherefore?” [Por que razão?], The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos] (Boston: The Christian Science Board of Directors), 227.
  6. Mary Baker Eddy para Archibald McLellan, 25 de novembro de 1902, L03041.
  7. Archibald McLellan, comentário editorial do texto “Wherefore?” [Por que razão?], Christian Science Sentinel, 27 de novembro de 1902, 200.
  8. Alfred Farlow, Christian Advocate (Pensilvânia), 30 de dezembro de 1902.
  9. Alfred Farlow, Journal of Medicine and Science (Portland, Maine), 2 de janeiro de 1903.
  10. Alfred Farlow para John E. Playter, 20 de novembro de 1902, Farlow Letterbooks, #314.