Dos arquivos de papéis: Mulheres médicas escrevem a Mary Baker Eddy

8 de agosto de 2022

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Currículo da Faculdade de Metafísica de Massachusetts, Boston, EUA. 1886; Retrato de M. Augusta Fairchild (extraído de A Woman of the Century [Uma mulher de seu século], Willard e Livermore, 1893), R00051; Retrato de Julia A.D. Adams, P00270; Circular impressa da Swedish Movement Cure Institution [Instituição de Cura do Movimento Sueco], instituição de M. Augusta Fairchild em Hannibal, Missouri, EUA, 667A.72.012.

Muitas pessoas notáveis trocaram cartas com Mary Baker Eddy. Ao publicar sua correspondência em mbepapers.org, constatamos que estão incluídas mais de uma dúzia de mulheres médicas e sanadoras. Algumas tratavam pacientes informalmente na comunidade. A maioria fora treinada formalmente na medicina, em uma época em que ainda era um desafio para as mulheres estudar medicina e atuar como médicas.

Algumas dessas mulheres escreveram à Sra. Eddy porque queriam o livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras. Outras já o estavam lendo. A maioria reconhecia a importância da espiritualidade na cura — mesmo praticando a medicina tradicional. Algumas até escreveram seus próprios livros que reconheciam essa conexão. Embora os Documentos de Mary Baker Eddy contenham muitos outros exemplos, em março, o Mês da História da Mulher nos Estados Unidos, pensamos em destacar algumas dessas mulheres.

Lucretia W. Hart

Esta sanadora autodidata, mas aparentemente eficaz, escreveu a Mary Baker Eddy em março de 1884: “Eu tenho praticado a medicina por 31 anos no estado de Wisconsin, durante os quais dei à luz e criei 9 filhos, e sou uma mulher ativa ainda, os médicos muitas vezes pediram que eu explicasse meu método de êxito e não tive como contar a eles”. Hart disse que outros a chamavam de espiritualista, com base no que ela conseguia fazer. Ela respondia que não sabia o que a tornava tão eficaz, acrescentando: “Mas uma coisa eu sei: existe poder na oração e Cristo é um justiceiro em todos os nossos males”.1 Ela escreveu à Sra. Eddy para saber mais a respeito da Ciência Cristã e subsequentemente encomendou vários panfletos: A Cura cristã, The Science of Man [A Ciência do homem] e The Peoples God [O Deus dos povos].

Alice B. Stockham

Entre as médicas eminentes que se corresponderam com Mary Baker Eddy, Stockham é conhecida como a quinta mulher com formação médica nos Estados Unidos, bem como uma defensora da igualdade de gênero, controle da natalidade e total abstinência do álcool. Ela escreveu à Sra. Eddy em setembro de 1883: “Ouvi falar de sua ciência da cura, que a senhora ensina e desejo saber mais sobre ela”. E acrescentou: “A senhora tem um livro sobre a cura pela mente? — em caso afirmativo, ele se vende bem?”2 Stockham escreveu vários livros sobre a saúde da mulher, inclusive Tokology: A Book for Every Woman [Tocologia: Um livro para todas as mulheres], publicado em 1885.3

Elmina M. Roys-Gavitt

Outra médica que escreveu a Mary Baker Eddy, Roys-Gavitt, formou-se na Faculdade de Medicina da Mulher da Pensilvânia em 1867 e foi a primeira médica praticante conhecida em Toledo, Ohio. Foi a fundadora e editora da revista Woman’s Medical Journal, que mais tarde se tornou o Medical Woman’s Journal. Sua breve carta apenas pede o preço de seis cópias de Ciência e Saúde, o que indica que ela provavelmente queria vender o livro para outras pessoas. Em resposta, o secretário da Sra. Eddy, Calvin A. Frye, enviou informações sobre como se tornar uma representante de vendas.4

Julia A. D. Adams

Esta médica homeopata é uma de várias outras mulheres formalmente treinadas em faculdades de medicina que manifestaram interesse pela Ciência Cristã e que deram o passo seguinte, estudando com Mary Baker Eddy ou um de seus alunos. Adams havia se formado na Faculdade de Medicina Homeopática de Cleveland, em Cleveland, Ohio. Em 1886, ela fez o Curso Primário e o Curso Normal da Ciência Cristã, com a Sra. Eddy. A seguir, ela fundou o Oakland Christian Science Institute [Instituto da Ciência Cristã de Oakland] e se anunciou na Lista de Endereços do The Christian Science Journal, até 1889.

M. Augusta De Forrest Brown

Formada no Woman’s Medical College [Faculdade de Medicina da Mulher] em Chicago, em 1883, Brown frequentou o Conservatório de Milão, onde estudou a relação entre saúde vocal e física. Ela escreveu pela primeira vez a Mary Baker Eddy em outubro de 1885 e falou sobre seu interesse no método de cura da Sra. Eddy:

Ainda lendo seus livros, tive um desejo incontrolável de saber mais sobre sua Cura divina. Enquanto lia Ciência da Saúde, veio sobre mim uma iluminação da Alma, que eu nunca havia esperado vivenciar. Durante anos nunca deixei o leito dos doentes, sem pedir a ajuda de Deus e muitas vezes fui forçada a sentir que somente por meio de Deus eles foram salvos. Mas nunca me ocorreu que somente Ele tinha poder para curar e salvar.5

Depois de se interessar pela Ciência Cristã, Brown fez o Curso Primário (1885) e o Curso Normal (1886) com a Sra. Eddy. Ela então manteve a prática de cura pela Ciência Cristã e o ensino da Ciência Cristã, por vários anos, na cidade de Nova York.

M. Augusta Fairchild

Formada pela faculdade New York Hygeio-Therapeutic College, em 1861, essa médica trabalhou no Western Hygeian Home, um centro de tratamento de hidroterapia em St. Anthony’s Falls, Minnesota, EUA. Em 1879, publicou How to Be Well [Como estar bem], um livro explicando o método higiênico de cuidar dos doentes. Enquanto mais tarde praticava medicina em Hannibal, Missouri, EUA, Fairchild escreveu a Mary Baker Eddy:

Seu livro chega a mim como uma água refrescante. — Estou pronta para seus ensinamentos. Desejo ser cada vez mais útil com o passar dos anos. Sou membro da Nova Igreja. Nem um pouco guiada pelo preconceito. É meu desejo seguir uma série de conferências com a senhora, assim que minhas atividades permitirem.6

Fairchild acabou estudando a Ciência Cristã com o aluno da Sra. Eddy, Silas J. Sawyer, e suas cartas indicam que ela curou outras pessoas graças ao que aprendeu. Em 1890, escreveu outro livro, Woman and Health: A Mother’s Hygienic Handbook [Mulher e saúde: Manual de higiene das mães]. Também criou o Fairchild Sanitarium em Quincy, Illinois, EUA, que funcionou até sua aposentadoria, em 1903.

Mais informações

Embora essas médicas, juntamente com várias outras, tenham estudado a Ciência Cristã com Mary Baker Eddy e até a tenham praticado por alguns anos, todas parecem ter voltado a praticar a medicina tradicional. Talvez o que aprenderam sobre a Ciência Cristã tenha influenciado seu cuidado com os doentes dali em diante. Apesar do fato de que muitas reconheceram a conexão natural entre a saúde da mulher e a espiritualidade, parece que surgiram algumas incompatibilidades em suas tentativas de combinar os dois métodos de cura. Silas J. Sawyer, que foi o professor de Fairchild, parece fazer alusão a isso, em uma carta à Sra. Eddy:

As probabilidades são de que a senhora venha a ter uma Dr. M. A Fairchild em sua próxima turma. Ela veio aqui, fez o curso primário e voltou para casa, em Hannibal Missouri — e continuou praticando sua medicina, massagem, misturando tudo com a metafísica… Quando eu ensino, ela concorda, e elabora um círculo grande ao redor da palavra verdade, então segue adaptando todos os ensinamentos de acordo com a crença dela, como uma “correspondência com a verdade”.7

Embora Sawyer ainda aconselhasse Fairchild a estudar com a Sra. Eddy, ela acabou voltando a praticar a medicina tradicional.

A Sra. Eddy explicou para outro aluno essa incompatibilidade entre a Ciência Cristã e as práticas materiais:

Eu lancei a base segura de todo o meu êxito em estabelecer até agora a causa da Ciência Cristã pela estrita coerência, em meus ensinamentos, práticas e escritos, com uma única declaração e sua demonstração de que tudo é a Mente e não há matéria! Portanto, nenhuma mistura com a matéria. Por isso é uma ciência puramente divina, que é mental, e não material em seus métodos.8

Mary Baker Eddy encorajou ativamente essas mulheres a estudar a Ciência Cristã, mesmo que fosse apenas para informá-las sobre um método de cura eficaz. Mas sabia que elas teriam que curar espiritualmente, e não por métodos materiais, a fim de praticar a Ciência Cristã. Os Documentos de Mary Baker Eddy nos dão uma visão fascinante da interseção da cura e da fé para essas pioneiras em seu próprio campo.


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  1. Lucretia W. Hart para Mary Baker Eddy, 31 de março de 1884, IC675B.75.030, https://mbepapers.org/?load=675B.75.030.
  2. Alice Bunker Stockham para Mary Baker Eddy, 12 de setembro de 1883, IC714B.86.033, https://mbepapers.org/?load=714B.86.033.
  3. “Tocologia” refere-se ao estudo do nascimento, parto e obstetrícia. Para saber mais sobre Stockham e seu interesse pela Ciência Cristã, ver “Women of History: Alice B. Stockham” [Mulheres que fizeram história: Alice B. Stockham], https://www.marybakereddylibrary.org/research/women-of-history-alice-b-stockham.
  4. Elmina M. Roys Gavitt para Mary Baker Eddy, 29 de junho de 1884, IC673B.74.056, https://mbepapers.org/?load=673B.74.056.
  5. M. Augusta De Forrest Brown para Mary Baker Eddy, 17 de outubro de 1885, IC342.47.007, https://mbepapers.org/?load=342.47.007.
  6. M. Augusta Fairchild para Mary Baker Eddy, 11 de setembro de 1884, IC667A.72.011, https://mbepapers.org/?load=667A.72.011.
  7. Silas J. Sawyer para Mary Baker Eddy, 18 de julho de 1885, IC237AP2.38.007, https://mbepapers.org/?load=237AP2.38.007.
  8. Mary Baker Eddy para A. J. Swarts, 29 de agosto de 1884, V00826, https://mbepapers.org/?load=V00826.